Olimpíadas de 2020 em Tóquio teve mais atletas fora do armário do que qualquer edição anterior

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Data: 27 dez. 2021

Katarzyna Zillmann, da Polônia, se assumiu publicamente após conquistar medalha de prata no remo. Katarzyna terminou a competição e dedicou a vitória para sua companheira.

Na verdade, esta não é a primeira vez que Katarzyna assume publicamente seu relacionamento com mulheres. “Eu já falei sobre isso em entrevistas anteriores, mas por alguma razão, nunca foi publicado”, disse Katarzyna para os repórteres após conquistar a prata.

Quebra no número de recordes

Quebra no número de recordes

Katarzyna é outra recordista olímpica LGBT em Tóquio. Existem pelo menos 181 atletas assumidos nos jogos deste ano. Isto é mais do que o triplo do que foi registrado no Rio de Janeiro em 2016 (56 atletas). Nas Olimpíadas de 2012, somente 23 atletas foram assumidos. Na verdade, o número de atletas LGBT em Tóquio é maior do que todos os que se assumiram publicamente em olimpíadas anteriores: de verão e inverno juntas.

Pelo menos 30 países diferentes serão representados por, no mínimo, um atleta assumido publicamente, em uma média de 34 esportes. Estados Unidos tem o maior número de atletas fora do armário nessa olimpíada, com mais dos 30 atletas conhecidos, cerca de um quinto de todos os participantes são assumidamente LGBT. Tivemos diversas equipes formadas por uma grande quantidade de atletas assumidamente LGBT: Brasil (18), Canadá (17), Holanda (17), Grã-Bretanha (16), Austrália (12) e Nova Zelândia (10).

Quem iria imaginar que esta olimpíada foi prevista em 1995?

[BIG GIRLS BLOUSE] 1995 Gay Olympics

A importância da visibilidade

A importância da visibilidade

Mais atletas se assumindo significa outros mais confortáveis para sairem do armário também. “Competir nas olimpíadas como um atleta abertamente gay é bem incrível”, explicou o nadador canadese, Markus Thormeyer. O nadador não era assumido quando competiu no Rio em 2016, porém desde que se assumiu gay em 2020 afirmou: “Ser capaz de competir com os melhores do mundo na minha forma mais autêntica na maior competição internacional multiesportiva mostra o quão longe nós chegamos em relação à inclusão no esporte. Espero conseguir mostrar para a comunidade LGBT que nós somos capazes e podemos alcançar qualquer coisa que colocarmos em nossa mente”.

Katarzyna Zillman sabe o que se assumir, outra vez, significa para as pessoas LGBT. Apesar de sua orientação sexual não ter chegado a ser notícia no passado, ela repetiu até que o mundo a ouvisse. “Eu sei que desse modo estarei ajudando outros”, disse ela. “Aparecer com uma camisa com os dizeres ‘esporte sem homofobia’ foi o suficiente para eu receber algumas mensagens de meninas praticando remo. Uma delas descreveu sua difícil situação em casa, e confessou que eu a ajudei muito com minha atitude. Apenas uma mensagem é o suficiente para esquecer completamente sobre os milhares de comentários de ódio”.

Remodelando a cultura do esporte

Remodelando a cultura do esporte

Esportes praticados por homens são historicamente associados com comportamentos violentos. O esporte tem sido uma via onde homens liberaram sua misoginia e homofobia. Um estudo de 2018 apontou que homens gays relatam opressões em questões relacionadas a esportes com maior frequência do que homens heterossexuais. Isso demonstra que homens gays estão mais inclinados a abandonarem o esporte devido a homofobia.

Os atletas esperam esperamos que haja uma mudança cultural positiva com mais atletas olímpicos assumidos do que antes nas olimpíadas de Tóquio. Idealmente, pessoas heterossexuais assistindo em casa irão diminuir seu medo do desconhecido e comemorar com todos que representem seus países. O nacionalismo competitivo que as olimpíadas possui suas falhas, claro, mas atletas olímpicos são atletas dedicados. É dado para eles uma plataforma para representar pessoas marginalizadas, e ainda defender questões políticas em um pódio global. Isso não pode ser subestimado.

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